quarta-feira, 29 de abril de 2009

“Pensar é um ato. Sentir é um fato”


Pensamentos e visões de Clarice Lispector sobre o amor, a vida e o autoconhecimento.

O amor foi uma descoberta atrasada que aconteceu em sua vida. Clarice Lispector até mais que treze anos não o conhecia. Mas, com o decorrer do tempo achou a relação profunda de amor entre o homem e a mulher, modo pelo qual um casal se une e nascem os filhos, algo de grande perfeição e delicadeza.
Segundo ela, sofrera muito antes de se reconciliar com o processo de vida, do qual fazia parte o amor, causador de seu sofrimento. E tal fato seria evitado se soubesse como era o amor. Porém, mesmo depois de conhecê-lo melhor continuou com pudor, o qual julgava pudor apenas feminino. E uma vez escreveu: “... cheguei a poder amar. Até esta glorificação: Eu amo o nada.”
Em sua concepção, viver era questão de ideal: “Um nome para o que eu sou, importa muito pouco. Importa o que eu gostaria de ser.” Seu ideal era lutar pelo bem dos outros, o que sempre quis desde pequena. Mas o destino a fez escritora, uma pessoa que procura o que profundamente sente e usa a palavra que o exprima. Coisa que para ela era pouco, muito pouco para o seu ideal de vida.
Noutros parágrafos já dizia “Também sei das coisas por estar vivendo. Quem vive sabe, mesmo sem saber que sabe.” e que a vida sempre superexigiu dela, porém ouvira como consolo de uma amiga que ela, Clarice, também superexige da vida.
Diante de tantos pensamentos, como diria, diante de tantos atos, Clarice não se dizia intelectual, mas sim, escritora. Para ela intelectual era usar a inteligência e escritora, como fazia, era usar seu instinto e sua intuição: “Ser intelectual é usar sobretudo a inteligência, o que eu não faço: uso é a intuição, o instinto. Ser intelectual é também ter cultura, e eu sou tão má leitora que agora já sem pudor, digo que não tenho mesmo cultura. Nem sequer li as obras importantes da humanidade.”
Não considerava sua paixão por escrever livros uma profissão, escrevia quando queria, quando vinham o instinto e a intuição, isto é, quando o livro, a escrita, vinha espontaneamente até ela. E por fim dizia: “Sou uma pessoa que tem um coração que por vezes percebe, sou uma pessoa que pretendeu pôr em palavras um mundo ininteligível e um mundo impalpável. Sobretudo uma pessoa cujo coração bate de alegria levíssima quando consegue em uma frase dizer alguma coisa sobre a vida humana ou animal.”

(Maria Clara, Ana Carla, Guilherme e Thaís)

3 comentários:

  1. Guilherme Nogueira7 de maio de 2009 às 16:29

    Pois Entao , Estamos comentando , um pouco sobre as Grandes obras de arte de Clarise!
    E varios trechos dela , me toca muitas coisa,!]

    so isso
    ehheuhuee
    bjj

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  2. Clarice como sempre deixando pensamentos e duvida no ar...
    Para mim não há contradição, mas para entender o que ela diz é preciso voltar a ter um pouco de mente infantil, que não duvida das coisas mais impossíveis.
    Tudo tem uma coerência, mas com calma para entender. Um segredo desvendado.

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  3. Somente uma frase:

    "A palavra é o meu domínio sobre o mundo"

    Clarice Lispector

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