quarta-feira, 29 de abril de 2009

TEXTO DE EX-ALUNA DO COLÉGIO PEQUENO PRÍNCIPE

OBS: O 9º ano do Colégio Pequeno Príncipe sente-se honrado em abrir espaço para uma ex-colega e grande amiga: Amanda Bomfim.

Andei. Percorri caminhos estreitos, passei por bosques, quase afundei na areia movediça. Deixei minha trilha nessa imensa floresta cheia de atalhos, clareiras e esconderijos. Ao lembrar toda a minha trajetória por ela, penso nas árvores que derrubei por impedirem minha passagem, nas noites tempestuosas em que me escondi dentro de cavernas para não ser molhada pela chuva e nas noites em que, sem encontrar abrigo, confundi minhas lágrimas com as gostas que caíam do céu; nos dias ensolarados, quando todos os pássaros pareciam cantar uma linda melodia só para mim; nas vezes em que enfrentei corajosamente os predadores, lutei e sobrevivi; Naquelas horas em que me tornei um deles e encurralei minha presa.
Foram muitas, muitas as vezes nas quais, ao deparar-me com a dúvida entre duas estradas, escolhi aquela em que a terra já estava macia pelos passos de outros que ali passaram muito antes de mim. Pois, não nego,“tenho medo do que é novo e tenho medo de viver o que não entendo - quero sempre ter a garantia de pelo menos estar pensando que entendo, não sei me entregar à desorientação”. Porque é humanamente natural temer aquelas estradas onde não haverá placas de orientação mostrando-nos a direção. Como saber se o fim delas será em um jardim ou em um precipício? Sim, talvez, deixando-as para trás, eu (assim como tantos outros antes e depois de mim) tenha perdido a chance de colher muitas flores, e esse pensamento assombra-me quando lembro que os frutos que colhi das minhas escolhas podem ser encontrados em tantas outras cestas. Entretanto, tais reflexões chegaram tarde, pois o Tempo não nos dá tempo suficiente para voltar e começar de novo quando já se está tão perto de chegar ao fim.
Mesmo assim, sei que os sóis que vi brilharem, as luas que vi reluzindo o brilho destes, nunca serão para mais ninguém os mesmos que foram para mim, mesmo que minhas pegadas na terra sejam seguidas uma a uma, assim como uma mesma música nunca será igual se cantada por intérpretes diferentes. Orgulho-me, agora que, depois de tantos anos de caminhada, minhas forças para explorar vão finalmente esgotando-se, de ter deixado minha marca, seja ela lembrada ou não, nestes caminhos tortuosos e perigosos da Vida.

Amanda Bomfim

3 comentários:

  1. Amanda, que texto lindo!!!
    Beijos e saudades demais!!
    Tia Veruska

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  2. Realmente...

    um texto muito bem apresentado,bem trabalhado e detalhado....

    parabens...

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  3. Amanda, parabéns elo texto....
    Continue escrevendo assim...
    bjs....

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